{"id":135235,"date":"2025-06-27T18:35:54","date_gmt":"2025-06-27T21:35:54","guid":{"rendered":"https:\/\/onordeste.com.br\/?p=135233"},"modified":"2025-06-27T18:35:54","modified_gmt":"2025-06-27T21:35:54","slug":"pesquisa-da-fiocruz-mostra-que-nanoparticulas-ajudam-a-conter-cancer-de-mama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/iparaiba.com.br\/index.php\/2025\/06\/27\/pesquisa-da-fiocruz-mostra-que-nanoparticulas-ajudam-a-conter-cancer-de-mama\/","title":{"rendered":"Pesquisa da Fiocruz mostra que nanopart\u00edculas ajudam a conter c\u00e2ncer de mama"},"content":{"rendered":"<div class=\"texto-conteudo\">\n<div class=\"clearfix text-formatted field field--name-body field--type-text-with-summary field--label-hidden field__item\">\n<p>Pesquisadores da Fiocruz conclu\u00edram mais uma etapa de um estudo que avalia o uso de nanopart\u00edculas de \u00f3xido de ferro para combater o c\u00e2ncer de mama. Os resultados mostraram que as nanopart\u00edculas conseguiram impedir que as c\u00e9lulas do c\u00e2ncer se multiplicassem e tamb\u00e9m ajudaram a evitar que o tumor se espalhasse para outros \u00f3rg\u00e3os, o que \u00e9 conhecido como met\u00e1stase. As recentes descobertas foram publicadas no peri\u00f3dico\u00a0<em>Cancer Nanotechnology\u00a0<\/em>e refor\u00e7am o potencial das nanopart\u00edculas como terapia complementar ao c\u00e2ncer. No entanto, os pesquisadores destacam que ainda h\u00e1 uma s\u00e9rie de etapas pela frente at\u00e9 chegar \u00e0 fase cl\u00ednica, em que s\u00e3o realizados testes em seres humanos.<\/p>\n<p>\u201cEm uma an\u00e1lise anterior, hav\u00edamos visto que as nanopart\u00edculas impossibilitam o crescimento do tumor. Agora, com este novo estudo, compreendemos como isso acontece e ver que as nanopart\u00edculas s\u00e3o capazes de impedir que as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas se espalhem e que o tumor d\u00ea origem a met\u00e1stases. E o melhor: sem causar danos ao organismo. Todas essas informa\u00e7\u00f5es mostram que estamos caminhando para chegar, de fato, a uma imunoterapia efetiva\u201d, afirma o pesquisador Carlos Eduardo Calzavara, da Fiocruz Minas, \u00e0 frente do estudo, juntamente com a p\u00f3s-doutoranda Camila Sales do Nascimento.<\/p>\n<p>Para chegar aos resultados, f\u00eameas de camundongos com c\u00e2ncer de mama foram separadas em dois grupos e apenas um deles recebeu as nanopart\u00edculas. Ap\u00f3s um per\u00edodo os cientistas verificaram que no grupo dos animais tratados houve um aumento de c\u00e9lulas chamadas natural killers (NKs), que atacam e matam c\u00e9lulas com padr\u00e3o alterado, como as do c\u00e2ncer, e houve uma redu\u00e7\u00e3o dos neutr\u00f3filos, um tipo de c\u00e9lula que, em muitos casos, favorece a progress\u00e3o do c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Segundo Calzavara, o c\u00e2ncer, normalmente, \u201cengana\u201d o sistema de defesa do corpo. Isso permite que o tumor cres\u00e7a sem ser combatido. Mas as nanopart\u00edculas provocam um \u201cdespertar\u201d do sistema imune, fazendo com que ele reconhe\u00e7a a amea\u00e7a e comece a reagir, ativando as c\u00e9lulas de defesa para destruir as c\u00e9lulas doentes. \u201cO tumor do c\u00e2ncer de mama produz algumas subst\u00e2ncias que o mascaram e fazem com que o sistema imune entenda que est\u00e1 tudo bem. Isso diminui a resposta inflamat\u00f3ria e permite que as c\u00e9lulas tumorais se multipliquem desenfreadamente, possibilitando que o tumor cres\u00e7a. O que n\u00f3s vimos neste estudo \u00e9 que, ao colocar as nanopart\u00edculas, induz-se um perfil inflamat\u00f3rio no microambiente. Isso porque elas induzem v\u00e1rias biomol\u00e9culas que v\u00e3o acordar o sistema imune, que detecta as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas e as elimina\u201d, explica.<\/p>\n<p>Outra importante constata\u00e7\u00e3o dos pesquisadores \u00e9 que, nos animais que receberam as nanopart\u00edculas, houve uma redu\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis de uma mol\u00e9cula chamada MCP-1, associada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de met\u00e1stases no c\u00e2ncer de mama. Os cientistas analisaram, ent\u00e3o, os pulm\u00f5es e o f\u00edgado dos camundongos, \u00f3rg\u00e3os que frequentemente s\u00e3o acometidos por met\u00e1stases no c\u00e2ncer de mama. Eles observaram que, entre os animais tratados, havia bem menos focos de c\u00e9lulas tumorais nos pulm\u00f5es, indicando que o tratamento ajudou a reduzir a capacidade do c\u00e2ncer de se espalhar. J\u00e1 as an\u00e1lises do f\u00edgado mostraram que a incid\u00eancia de met\u00e1stase n\u00e3o foi significativa em nenhum dos grupos.<\/p>\n<h4><strong>Resultados anteriores<\/strong><\/h4>\n<p>Um estudo anterior, publicado pelo grupo em 2023, j\u00e1 havia mostrado que as nanopart\u00edculas impediam o crescimento de tumores malignos de mama, por meio da altera\u00e7\u00e3o do perfil de um dos tipos de c\u00e9lula de defesa do organismo, os macr\u00f3fagos. Os cientistas haviam explicado que h\u00e1 dois tipos principais de macr\u00f3fagos: M2, com caracter\u00edsticas mais anti-inflamat\u00f3rias e relacionados com maior permissividade tumoral; e M1, que s\u00e3o pr\u00f3-inflamat\u00f3rios e mais eficazes em limitar a progress\u00e3o do tumor.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, usando as nanopart\u00edculas, os pesquisadores reprogramaram o perfil dos macr\u00f3fagos M2, transformando-os em M1, de forma a inibir o desenvolvimento do tumor. Eles tamb\u00e9m injetaram c\u00e9lulas tumorais e as nanopart\u00edculas em camundongos e constataram uma redu\u00e7\u00e3o de quase 50% na massa tumoral dos animais expostos \u00e0 nanopart\u00edcula em compara\u00e7\u00e3o aos animais que n\u00e3o receberam o tratamento. Agora, com a nova pesquisa, os cientistas conseguiram compreender de que forma todo esse processo de reprograma\u00e7\u00e3o acontece.<\/p>\n<p>Todos os resultados obtidos representam um avan\u00e7o cient\u00edfico importante diante do desafio de combater um tipo de c\u00e2ncer que provoca sofrimento e muitas mortes em todo o mundo. \u201cH\u00e1 muitas recidivas, ou seja, situa\u00e7\u00f5es em que o c\u00e2ncer reaparece; h\u00e1 casos de resist\u00eancia ao tratamento e h\u00e1 tamb\u00e9m pacientes que n\u00e3o suportam as atuais terapias, por serem fortes demais. Tudo isso faz com que o c\u00e2ncer de mama continue matando muito, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil como no mundo, e, por isso, \u00e9 t\u00e3o importante expandir o leque terap\u00eautico\u201d, explica Calzavara.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que a tecnologia venha a complementar os tratamentos atuais, especialmente para pacientes que n\u00e3o respondem \u00e0s terapias convencionais. Mas, at\u00e9 l\u00e1, ainda s\u00e3o necess\u00e1rios novos estudos. O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 o dos testes pr\u00e9-cl\u00ednicos, de forma a avaliar poss\u00edveis efeitos colaterais, dosagem ideal do tratamento, bem como absor\u00e7\u00e3o, metaboliza\u00e7\u00e3o e excre\u00e7\u00e3o por parte do organismo, entre outros aspectos. Somente ap\u00f3s a conclus\u00e3o dessa etapa poder\u00e3o ser iniciados os testes cl\u00ednicos, em que se avalia o tratamento em seres humanos.<\/p>\n<p>Outras duas pesquisas est\u00e3o iniciando: uma usando o efeito hipert\u00e9rmico das nanopart\u00edculas e outra verificando a possibilidade de associar medicamentos j\u00e1 utilizados na oncologia \u00e0s nanopart\u00edculas, o que poderia aumentar a efic\u00e1cia do tratamento e reduzir os efeitos colaterais da quimioterapia.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a class=\"materia-original\" href=\"https:\/\/portal.fiocruz.br\/noticia\/2025\/06\/pesquisa-mostra-que-nanoparticulas-de-oxido-de-ferro-podem-ajudar-impedir-o-avanco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Link: https:\/\/portal.fiocruz.br\/noticia\/2025\/06\/pesquisa-mostra-que-nanoparticulas-de-oxido-de-ferro-podem-ajudar-impedir-o-avanco<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Fiocruz conclu\u00edram mais uma etapa de um estudo que avalia o uso de nanopart\u00edculas de \u00f3xido de ferro para combater o c\u00e2ncer de mama. 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