Nordeste

Agrovila Águas de Acauã: Governo inscreve moradores

Técnicos da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (Sedh) realizaram a inscrição dos moradores da Comunidade Costa, localizada no município de Natuba, que serão reassentados no Projeto da Agrovila Águas de Acauã. Idealizada pelo Governo do Estado, a agrovila será construída no município de Itatuba para beneficiar as famílias cuja comunidade onde viviam foi inundada pelo Rio Paraíba após a conclusão da Barragem Acauã.

O governador João Azevêdo apresentou o projeto da Agrovila Águas de Acauã em outubro do ano passado aos representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), em reunião na Granja Santana. Com a aprovação do projeto pela comunidade, foi iniciada a fase inicial de execução, com a publicação do decreto de desapropriação de uma área de cerca de 330 hectares.

Por todo dia, assistentes sociais e técnicos da Sedh visitaram as cerca de 140 moradias da localidade, explicando como será desenvolvido o projeto. Orçado inicialmente em aproximadamente R$ 15 milhões, o projeto da Agrovila Águas de Acauã prevê a construção de casas com dois quartos, escola com quatro salas de aula, galpão para usos diversos, campo de futebol, vias principais pavimentadas, sistema de eletrificação e iluminação, perfuração de 13 poços artesianos e sistema de abastecimento de água, numa área total de 328 hectares, sendo que cada família receberá um lote com 1,5 hectare de terra.

Para o coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragem(MAB), Osvaldo Bernardo da Silva, a construção da Agrovila Águas de Acauã é um momento histórico na vida das famílias atingidas. “Está se construindo coletivamente com Estado e Ministério Público Federal (MPF) algo que era para ter acontecido há 21 anos: conversar com os principais atores. E temos na figura do Governador a sensibilidade que representa a primeira reparação concreta por parte do Estado. Até então, esperávamos políticas públicas, pois a Comunidade do Costa é das seis comunidades atingidas pela Barragem Acauã, localizadas nos municípios de Aroeiras, Itatuba e Natuba, a que se encontra em pior situação. É a comunidade que foi mais violentada pelo Estado. As famílias não têm onde produzir, necessitam de dignidade humana, água, acesso à terra para que possam ter autonomia financeira”, afirmou Osvaldo.

Moradora há 14 anos no Costa, Maria Barbosa da Silva (61), seis filhos, que reside com o companheiro, um casal de filhos e um neto, lembra dos tempos difíceis que enfrentou e sonha em se mudar para a Agrovila. “Acho e espero que seja bem melhor que aqui, que seja como estão prometendo. Foi triste termos saído sem rumo, perdendo tudo que tínhamos, 40 cabeças de ovelhas, 25 de gado. Acho que lá (na Agrovila) será melhor, aqui sofremos muito com a falta d’água, há 15 dias estava sem, chegou hoje”, afirmou esperançosa.

Apesar dos seus 17 anos, Micaele Lima Pereira da Silva, já é casada, mãe de um filho, o marido é garçom e pizzaiolo, mas atualmente trabalha em uma fazenda da região. Reside num imóvel alugado, do qual paga R$ 100,00, e também sonha com o reassentamento. “Espero que supere as expectativas do projeto, e pretendo ir para lá, conheci e vi que tem melhor infraestrutura. Aqui sofremos muito com a falta d’água principalmente”, falou com alegria.

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