Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres

A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) realizou audiência pública em alusão ao Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, celebrado em 06 de dezembro. O debate, presidido pelo deputado Cabo Gilberto, foi proposto pela Comissão dos Direitos da Mulher da ALPB. A data foi criada com o intuito de conscientizar os homens sobre o papel que precisam desempenhar para colaborar com o fim da discriminação e violência contra as mulheres. No Brasil, as ações em alusão a este dia são coordenadas pela Rede de Homens pela Equidade de Gênero (RHEG).

O deputado Cabo Gilberto destaca que trazer os homens para o debate e para o envolvimento em ações de enfrentamento à violência contra as mulheres é extremamente relevante. “O Poder Legislativo está atento a todos os temas que a sociedade enfrenta e essa questão da violência contra a mulher precisa ser debatida. Sessões como esta são importantes para que possamos trazer os homens para a discussão e fazer com que o Legislativo desenvolva iniciativas de proteção às mulheres”, declarou.

Segundo a promotora de Justiça de Defesa do Direito da Mulher do Ministério Publico Estadual, Rosane Araújo, a Assembleia está de parabéns por ter a sensibilidade de abordar, junto com a população, o enfrentamento a violência contra as mulheres. “O interesse de todos é que se construa uma sociedade igualitária para que a gente possa se valer de forma igual. É essa a importância de uma sessão como esta, trazer visibilidade pelo fim da violência contra as mulheres e mostrar que tem homens dispostos a abraçar essa causa pelo fim da violência”, analisou.

A presidente da Comissão de Combate a Violência Contra Mulher da OAB, Izabelle Ramalho, argumentou que se opor a violência contra a mulher é uma luta de toda sociedade. “Não deve ser um luta só das mulheres, mas de toda a sociedade, incluindo os Poderes, as instituições. O poder Legislativo tem papel fundamental, com leis que garantam prevenção e combate”, destacou.

Representando o comando da Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar, a sub-tenente Jeane destacou a importância do ato da denúncia que, segundo ela, ainda é o principal desafio no enfrentamento aos casos de violência contra a mulher. “A luta que nós enfrentamos ainda é a recusa da mulher em querer denunciar. Ela ainda não se sente a vontade, não se sente acolhida e é importante que esta mulher/vítima entenda que possui direitos e que esses direitos devem e serão respeitados”, observou a militar.

A coordenadora das Delegacias das Mulheres do Estado da Paraíba, Maísa Félix, garantiu que a Segurança do Estado tem um compromisso com a proteção da mulher. De acordo com a delegada, toda a força policial, assim como o Corpo de Bombeiros, têm uma luta incessante em defesa dos direitos da mulher. No Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, Maísa também fez questão de ressaltar a presença do homem na discussão.

“Enquanto existir uma mulher que sofra qualquer tipo de violência, nós estamos apostos para encaminhar para que ela saia do ciclo da violência. Nós precisamos trazer os homens, precisamos que eles participem de maneira efetiva no enfrentamento da violência contra a mulher. Os homens precisam dialogar com seus amigos que uma mulher quando sofre um ato de violência não é só ela quem adoece, mas sim toda a família”, refletiu a delegada.

Também participaram da audiência a representante do Ministério Público, a promotora Ismânia do Nascimento Nóbrega; a defensora pública, Francisca de Fátima Almeida; a ouvidora do Conselho de Engenharia e Agronomia, Alméria Carniatto, a presidente da Comissão da Mulher Advogada, Mônica Lemos; a presidente da comissão da Jovem Advocacia, Yasmim Mendonça; e a juíza Graziela Gadelha.

A escolha da data remete a um caso de violência contra as mulheres que chocou o mundo. Em 1985, o jovem canadense Marc Lepine, de 25 anos, invadiu uma sala de aula e ordenou que todos os homens deixassem o local para que pudesse assassinar todas as mulheres. Marc cometeu suicídio logo após o ato. Em carta deixada pelo jovem, ele dizia não aceitar que mulheres frequentassem o curso de engenharia, um curso, segundo ele, tradicionalmente masculino.

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